Archive | dezembro 2008

Um novo ano de muita paz, saúde e sucesso

Este é meu último post este ano.  Sei que o blog nem bem entrou no ar, mas foi muito importante dar início a este projeto ainda em 2008 do que deixá-lo como uma “promessa de ano novo”. Etapa vencida. Meu próximo grande desafio será correr uma São Silvestre inteira… mas ainda levará um bom tempo, além de muito treino e preparo! A meu favor, tenho apenas a correria diária, ao lado de outros campeões com os quais trabalho.

Quero, assim, agradecer a todos que conheço por mais um ano de convivência, troca de conhecimentos e, sobretudo, pelo constante incentivo ao trabalho. Aos leitores de passagem, um obrigado especial. Reconfigurei o campo de ‘comentários’ para que vocês deixem suas mensagens sem a necessidade de ter um cadastro no WordPress.  Caso mensagens ‘automáticas’ invadam este blog, terei de modificar o campo de moderação, mas apenas com o propósito de manter esta página em boas condições de leitura.

Por falar em leitura, finalizei há pouco um artigo que descreve a necessidade de investimentos em comunicação, mesmo em tempos de crise, como parte do caminho para a sustentabilidade.  Em breve, compartilho com vocês. Como o ano que se inicia será um ano bastante difícil, destaco nesse texto os cuidados que se deve ter com a redução de investimentos ou corte de custos. Afinal, empresas sérias assumiram antes da crise um compromisso socialmente responsável com a sociedade e devem sempre ter isso em seus planos.

Enfim, desejo um ano de paz, saúde e sucesso para todos os profissionais de Marketing e Comunicação, incluindo aquelas pessoas que colaboram com as atividades desenvolvidas por esse grupo.

O ano de 2009 já bate à porta. Então, um Feliz Ano Novo!

Aprisionados?

"Coração de Tinta" - PlayArte

Se você gostou de “Jumanji”, com Robin Williams, certamente vai apreciar a idéia central de “Coração de Tinta (O livro mágico)”, que estreou ontem, dia 25. Não me perguntem por que nem como, mas entre um especial do Roberto Carlos na TV e uma estréia no cinema, sou mais a segunda opção.

Para quem se lembra, “Jumanji” estreou em 1995. Teve como base o livro do escritor e ilustrador norte-americano Chris Van Allsburg, obra publicada em 1982. Na história, dois irmãos brincavam com um jogo de tabuleiro perdido em um sótão quando acabaram libertando o personagem vivido por Robin Williams. Com ele, depois vieram os animais selvagens da floresta e outros bichos…

Em “Coração de Tinta”, livro originalmente publicado em 2004 e que dá título ao filme, o personagem principal, vivido por Brendan Fraser, tem o dom especial de trazer à vida real, sempre que lê em voz alta o livro Inkheart (título original da obra), alguns personagens da história. Diga-se de passagem, quase todos eles personagens do “mal”. A obra integra a trilogia “Mundo de Tinta”, cuja seqüência é “Sangue de Tinta” e “Morte de Tinta”. A trilogia é da experiente e criativa escritora alemã Cornelia Funke.

Meu assunto aqui não é falar de cinema e nem sugerir plágio. Existe, na verdade, um ponto em comum entre as duas obras que é dar vida a personagens inanimados. Voltando estas histórias ao contexto empresarial, quantas pessoas “inanimadas” conhecemos e, por mais criativos que possamos ser, não conseguimos dar vida a elas? Da mesma forma, quantas pessoas criativas conhecemos e que desperdiçam seu talento por estarem rodeadas de pessoas do “mal”?

Não há magia que faça mudar essa realidade, mas é verdadeiro acreditar em quem normalmente acrescenta valor ao nosso trabalho. São por motivos como esses que todos os ouvidos devem se concentrar em quem pronuncia palavras que podem ajudar a aperfeiçoar um projeto. A focalização, como tenho dito aqui, é nas pessoas, personagens de um mundo real.

E para finalizar: se há coincidências, o site oficial do filme “Coração de Tinta” revela que Cornelia Funke fez pós-graduação em ilustração de livros e, ao término de seu curso, foi trabalhar com jogos de mesa (que acredito ser o mesmo que jogos de tabuleiro).

Nos Estados Unidos, a estréia prevista de Inkheart é no dia 23/1/2009.

Feliz Natal, Spencer Silver!

Você sabe quem é Spencer Silver? Apenas um entre os muitos  funcionários da 3M. Em 1968, Silver foi o responsável pela criação do que deveria ser uma cola extra-forte do tipo adesivo. O invento, naquela altura, não lhe trouxe sucesso. A cola era fraca demais e, por esse motivo, o adesivo fora deixado de lado.

Anos mais tarde, Art Fry, funcionário da mesma empresa, também integrante do coral de uma igreja, precisou resolver um problema particular: manter presos os marcadores em seu livro de cânticos, já que viviam caindo durante o uso. Foi assim que, quase 10 anos depois, o projeto da cola “fraquinha” de Silver foi retomado.

O adesivo foi aplicado a um papel e, dessa forma, pôde ser fixado suavemente em outra superfície, com fácil remoção. Nascia, como muitos já sabem, o famoso ‘post-it®’ da 3M, um produto de grande sucesso em todo o mundo.

Muito curioso é observar que no site da 3M do Brasil, Spencer Silver nem sequer é citado (consulta feita em 23/12/2008, às 23h51). Art Fry, contudo, é mencionado como criador daquele tal “papel amarelo que mal gruda”. A Spencer Silver fica apenas a idéia de um realizador de um trabalho fracassado: “(…) Art Fry (…) O ponto de partida de sua invenção foi a experiência “fracassada” de outro cientista que havia pesquisado um adesivo forte, quando o resultado foi um adesivo de baixo tato (…)”.

Vale registrar, por outro lado, que os sites da 3M em outras localidades, como Argentina, França e Reino Unido, fazem menção a Spencer Silver. Infelizmente, via de regra, pessoas que colaboram para o sucesso de outros profissionais acabam sendo pouco valorizadas ou até mesmo esquecidas. Enfim, vamos deixar a reflexão de tudo isso para novas oportunidades.

E Feliz Natal a todos os “Spencers” que  lêem este blog!

Blogueiros do mundo: uni-vos

Segundo pesquisa do Ibope / Net Ratings, o Brasil tem 43,1 milhões de pessoas com acesso à Internet. Em recente estudo, encomendado pela agência de publicidade F/Nazca Saatchi & Saatchi, a partir de levantamento feito pelo Instituto DataFolha, o país possui, na verdade, 64,5 milhões de internautas.

Na edição de 8/12/2008, o Jornal da Globo apresentou uma reportagem sobre a “Profissão Blogueiro”. O enfoque é a respeito de pessoas que produzem conteúdos para blogs e até ganham dinheiro com isso. Particularmente, quanto a esse último fator, não é o meu caso. Tenho uma outra atividade profissional. Este blog é apenas o lado colaborativo que tenho destacado nos posts destas últimas semanas.

Em todo o mundo, de acordo com a reportagem, são 112 milhões de blogs ativos. Só em língua portuguesa, são mais de 2,25 milhões deles. O “People Marketing” é só mais um entre tantos.

Há blogueiros (ou “bloguistas”, como os portugueses costumam chamar a quem escreve nos “blogues”) que também colaboram para o aperfeiçoamento de atividades de Marketing e Comunicação. Eles apontam problemas e recomendam soluções.

A atividade de “blogueiro”, em minha opinião, deveria ser reconhecida por todos como profissão. Cabem comentários. Deixo aberto este espaço.

Estratégias e processos: feitos por pessoas

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Henry Mintzberg, um professor de estudos de Administração da McGill University, em Montreal, Canadá, focaliza suas pesquisas para  o trabalho gerencial, nas formas de organização e no processo de formação da estratégia. Ao descrever o que torna uma organização eficaz, Mintzberg lembra uma das afirmações de Tom Peters em que as organizações devem ser “participativas, conduzidas por valor”. Pela visão de Michael Porter, entretanto, o autor acrescenta que as organizações devem usar a análise competitiva.

É Porter quem diz que a eficácia reside na estratégia enquanto Peters acredita que são as operações que contam. É como se um dissesse “faça as coisas certas” enquanto o outro afirmasse “faça-as corretamente”. Em qualquer um dos casos, o sucesso da estratégia estará na colaboração das pessoas, seja na escolha correta do que se fazer seja na forma adequada de como fazê-las.

Definir as melhores estratégias de Marketing e operar todo o processo, portanto, nos sugerem ações distintas, mas seguramente únicas por contar com um diferencial que pode mudar substancialmente o que havia sido planejado: a colaboração das pessoas envolvidas. Além de ferramentas e recursos profissionais, o aperfeiçoamento da estratégia ou de seu processo será possível se o trabalho gerencial for flexível o bastante para aceitar novas idéias, vindas, às vezes, de pessoas que não necessariamente sejam da equipe de Marketing. Inovar, portanto, vai além do que olhar para a estratégia tal como foi concebida originalmente ou apenas para dentro do processo.

Citação bibliográfica: “Além da Configuração”, por Henry Mintzberg, em “O processo da estratégia”, 4ª edição, p.386, Bookman, Porto Alegre, 2006.

Lucro também vem da participação

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A administração participativa, embora seja um conceito já  antigo, nos remete à valorização que se dá aos funcionários que aprimoram processos no trabalho e resolvem problemas que dificilmente seriam percebidos pela alta direção de uma empresa. Seriam muitos os exemplos, mas, para ilustrar, recorri a dois resultados que acompanhei poucos anos atrás em uma indústria do setor agroquímico, decorrentes de um programa de sugestão de melhorias contemplado nesse modelo de gestão:

– a partir de uma sugestão, um funcionário conseguiu reduzir de 12 para 5 horas a preparação de um produto, cujo processo original provocava o entupimento de uma peneira da máquina para sua formulação. Apenas o operador saberia como resolver essa situação e foi o que fez, motivado pelo programa de administração participativa implementado nessa fábrica. Quando o presidente, diretor ou mesmo o supervisor da planta conseguiria detectar com tal precisão esse problema?

– outra sugestão de melhoria no sistema de fechamento de caixas proporcionou à empresa uma economia na ordem de US$ 19 mil.

Em único ano, 31 projetos nesse sentido foram inscritos no programa, além de 298 sugestões de melhoria. Os projetos de maior destaque, claro, foram premiados. Da indústria ao setor de serviços, me recordo também de um amplo programa que previa a redução de desperdício nas áreas administrativas. Como prêmio, 200 reais para cada funcionário se uma meta inicialmente estabelecida fosse alcançada, além de uma premiação especial para as “melhores idéias”. A meta não só foi alcançada, como ultrapassou em mais de 100% o que havia sido previsto em redução de desperdício.

Vale lembrar que esse tipo de participação não só aumenta o engajamento e a satisfação no trabalho, como contribui para o desempenho do colaborador e para a competitividade da própria organização no mercado. Se isso traz resultados para praticamente todos os níveis da empresa, ouvir sugestões de colaboradores da organização interessados em melhorar a empresa onde trabalham pode, sim, aperfeiçoar as atividades de Comunicação e Marketing. Essa é uma força colaborativa que não pode ser desperdiçada. E a pergunta é: o quanto os gestores dessas áreas estão dispostos a ouvir, hoje em dia?

Rede de Correspondentes

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Existe algo de grande valor nas empresas que é a chamada “Rede de Correspondentes”. É uma rede de funcionários que, geralmente, tem como objetivo contribuir nas ações de Comunicação Interna de uma organização.

Funciona assim: a equipe de Comunicação convida funcionários alocados em pólos ou sites da empresa em todas as regiões onde a organização mantenha suas atividades. Pelo menos um desses representantes passa, então, a integrar essa rede, cuja moderação é feita por um dos profissionais de Comunicação Interna. 

Sempre que um pólo tem informações relevantes para toda a empresa, esse “correspondente” local aciona, por e-mail, telefone ou pessoalmente, a equipe de Comunicação Interna para transmitir os detalhes e, se for o caso, contribui com o envio de fotos e outros materiais que possam ser utilizados como apoio.

Uma boa gestão de Rede de Correspondentes garante uma melhor visão de toda a organização, uma vez que os veículos de Comunicação passam a retratar, com equilíbrio, quais as atividades que cada site da empresa desenvolve em sua esfera de atuação, na região onde está localizada.

Há, por outro lado, um bom número de Redes de Correspondentes em Comunicação Interna que simplesmente não funcionam. Uma possível razão é que  as pessoas eleitas como “correspondentes” não tenham engajamento ou afinidade com a proposta, ou seja, não são People Marketing. Nesse caso, é possível que se tenha feito uma escolha errada, como atender a um pedido “político” para apenas dar visibilidade a um funcionário de determinado pólo.

De qualquer forma, vale elogiar as iniciativas das equipes de Comunicação Interna que promovem encontros presenciais freqüentes com todos os membros de suas Redes de Correspondentes. Mesmo não sendo profissionais de Comunicação, essas pessoas da Rede, por vezes, mudam totalmente – e para melhor – o que estava restrito a uma estratégia pensada de forma isolada, sem conexão ao todo.

Focalização além do umbigo

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Nas empresas existem, no sistema produtivo, dois tipos de atitudes: a mentalidade market-in, focalizada na satisfação do cliente como essência do trabalho, e a do product-out, oposta à primeira, por meio da qual o produto em si mesmo é o propósito do trabalho. Na mentalidade product-out, entende-se que um trabalho está bem feito se o produto é fabricado de acordo com as especificações previstas. Em resumo, a empresa lança no mercado o que ela considera um bom e adequado produto, com focalização, portanto, no próprio umbigo.

Em um caso real de uma empresa que fabrica equipamentos para veículos automotores (veja crédito do autor no final deste post), constatou-se que, num modelo de equipamento utilizado em veículos D20 e F1000, o número de reclamações crescia a cada ano, sob a alegação de altos ruídos. O mais estranho era que o processo de fabricação daquela empresa estava substancialmente melhor e, mesmo assim, as reclamações aumentavam. A assistência técnica, por sua vez, desmontava o equipamento, considerando-o dentro da normalidade. Depois atestava: “reclamações infundadas”. E isso não convencia o cliente. E este, por sua vez, insistia no problema.

A explicação veio só depois de certo tempo. O uso daquele tipo de veículo deixou de ser puramente para transportar cargas leves e passou a ser de uso mais familiar, freqüentemente dirigido por mulheres. O ruído e a vibração, antes não sentidos com o veículo carregando peso, tornaram-se mais evidentes quando o “produto” deixou de ser exigido em sua concepção original (transportar cargas) para ser usado para “passeio”. Moral da história: há pessoas que apontam soluções a todo momento e, ainda assim, existe uma resistência por parte de quem deveria ter um olhar mais voltado ao market in.

O caso que relatei integra o artigo “A Qualidade Total e a Administração tradicional – Seu impacto nos custos” (Dr. Manuel Folledo, Departamento de Estatística – Mestrado em Qualidade, Universidade Estadual de Campinas). Para ler o trabalho, clique aqui.

McCarthy: o “P” de pessoa

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É certo que você conheça o mix de marketing ou “composto de marketing”, um conjunto de ferramentas que uma empresa normalmente utiliza para alcançar seus objetivos de marketing no mercado-alvo. O que pouco se comenta é quem as organizou e classificou para termos o que conhecemos hoje como os 4Ps do Marketing: Produto, Preço, Praça e Promoção.

O crédito é atribuído a  E. Jerome McCarthy, um professor de marketing da Universidade Estadual de Michigan, autor de importantes livros na área e consultor de estratégia de marketing para grandes empresas norte-americanas. Philip Kotler apenas popularizou o termo. Vale lembrar que o termo “marketing mix” surgiu com Neil Borden (1950)  cujo conceito integrava marketing em doze funções diferentes e depois McCarthy popularizou os 4 Ps, uma derivação da classificação de Borden.

Não quero, aqui, afirmar quem é o mais importante na história, mas reforçar que McCarthy, em um determinado momento, foi também o “P” de pessoa – “P” inclusive já incorporado ao marketing mix por outros autores. McCarthy é só mais um exemplo de pessoas que contribuem para aperfeiçoar o trabalho de um infinito número de profissionais. E como sabemos, na história nem sempre se atribui o crédito a quem de fato o tem.

Peering: uma forma de inovar em negócios

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Outro dia estava conversando com colegas na empresa onde trabalho sobre a wikinomics, um tema bastante interessante que se popularizou em 2006 com o lançamento do livro de mesmo nome de Don Tapscott e Anthony D. Williams. A idéia central dessa publicação é como a nova colaboração em massa vem mudando a forma como as empresas e as sociedades passam a utilizar o conhecimento e a capacidade de inovar para criar valor.

Em posts futuros, comentarei sobre a wikinomics e de sua base formada por quatro vertentes: abertura, peering, compartilhamento e ação global. Peering ou peer production é quando as pessoas unem suas forças para colaborações auto-organizadas. A finalidade, neste caso, é a produção de novos bens e serviços. Um exemplo bastante conhecido é o sistema operacional Linux, uma forma de peering em razão de ser construído de forma colaborativa, em rede, por diversos usuários.

Os velhos conceitos de se fazer ou se pensar negócios precisam ser revistos nesta economia construída por muitos. É aqui que também agem os profissionais de Marketing e as pessoas impactadas por essa prática. Posso apostar que, em sua empresa, há uma força colaborativa ainda não explorada… potencialmente.

Práticas colaborativas: dentro e fora da rede

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Este blog tem, entre outros objetivos, abrir um novo espaço para apresentar a importância das pessoas nos processos comunicacionais das organizações. É certo que você já tenha ouvido falar de Comunicação Organizacional, Comunicação Empresarial, Comunicação Interna, Endomarketing®, Marketing, Marketing de Relacionamento e de muitos outros termos semelhantes e de suas variações. Para uns são termos interligados. Para outros, são temas completamente distintos.

Muito se fala no cliente e no aprendizado que se tem com ele, porém pouco se fala (ou se admite) que é a partir do relacionamento responsável que se garante a possibilidade de aprender, corrigir e aperfeiçoar nossas ações em Comunicação e Marketing.

A construção colaborativa, por meio da rede, é um fator importante que tem ganhado destacada força no cenário mundial. Por outro lado, a mesma força colaborativa é subaproveitada nas organizações. Identificar esse poder da colaboração de pessoas é fundamental para o aperfeiçoamento das atividades de Comunicação e Marketing.

Por isso, este blog  é receptivo tanto para comentários vindos  de profissionais das áreas de Comunicação e Marketing quanto para colaborações de outros profissionais das demais áreas de conhecimento.