Archive | fevereiro 2009

Reconsidere o seu real valor

Embora eu tivesse prometido não falar de trabalho neste carnaval, encontrar alguns antigos colegas de outras empresas nestes dias me fez mudar de ideia. Um dos comentários que ouvi era sobre a falta de reconhecimento no ambiente corporativo e como isso era prejudicial à carreira. Eu diria que, em primeiro lugar, é prejudicial ao profissional, pois, muitas vezes, ele acaba por esquecer qual a competência que a pessoa que o avalia tem para  julgá-lo e reconhecê-lo. A carreira é mais abrangente.

Diante desse assunto, que marcou este final de semana, aproveitei este momento de ‘folga’ para recuperar um texto que recebi, há três anos, durante uma disciplina que tive, chamada Fator Humano.  Em todas as buscas que fiz para encontrar o autor do texto, a resposta é “autor anônimo”. Enfim, se alguém souber a quem devo “creditar” a autoria é só dizer. O mesmo texto, acabo de me lembrar, entreguei a um profissional bastante competente que achava nunca ter tido o tal reconhecimento e a descoberta dele, após ler essa história, foi muito positiva. Espero que faça sentido para você também.

 

O anel 

Certo dia, um jovem aluno, muito desanimado e sentindo-se fracassado, procurou seu professor:

– Venho aqui, professor, porque me sinto tão pouca coisa, que não tenho forças para fazer nada. Dizem que não sirvo para nada, que não faço nada bem, que sou lerdo e muito idiota. Como posso melhorar? O que posso fazer para que me valorizem mais?

O  professor sem olhá-lo, disse: – Sinto muito meu jovem, mas agora não posso ajudá-lo, devo primeiro resolver o meu próprio problema. Talvez depois. E fazendo uma pausa falou: – Se você me ajudar, eu posso resolver meu problema com mais rapidez e depois talvez possa ajudar você a resolver o seu.

– Claro, professor, gaguejou o jovem, mas se sentiu outra vez desvalorizado. O professor tirou um anel que usava no dedo pequeno, deu ao garoto e disse: – Monte no cavalo e vá até o mercado. Deve vender esse anel porque tenho que pagar uma dívida. É preciso que obtenha pelo anel o máximo possível, mas não aceite menos que uma moeda de ouro. Vá e volte com a moeda o mais rápido possível.

O jovem pegou o anel e partiu. Mal chegou ao mercado começou a oferecer o anel aos mercadores. Eles olhavam com algum interesse, até quando o jovem dizia o quanto pretendia pelo anel. Quando o jovem mencionava uma moeda de ouro, alguns riam, outros saíam sem ao menos olhar para ele, mas só um velhinho foi amável a ponto de explicar que uma moeda de ouro era muito valiosa para comprar um anel.

Tentando ajudar o jovem, chegaram a oferecer uma moeda de prata e uma xícara de cobre, mas o jovem seguia as instruções de não aceitar menos que uma moeda de ouro e recusava as ofertas. Depois de oferecer a jóia a todos que passavam pelo mercado e abatido pelo fracasso, montou no cavalo e voltou. O jovem desejou ter uma moeda de ouro para que ele mesmo pudesse comprar o anel, assim livrando a preocupação de seu professor e assim podendo receber sua ajuda e conselhos.

Entrou na casa e disse: – Professor, sinto muito, mas é impossível conseguir o que me pediu. Talvez pudesse conseguir 2 ou 3 moedas de prata, mas não acho que se possa enganar ninguém sobre o valor do anel. Importante o que me disse meu jovem, contestou sorridente. Devemos saber primeiro o valor do anel. Volte a montar no cavalo e vá até o joalheiro. Quem melhor para saber o valor exato do anel? Diga que quer vender o anel e pergunte quanto ele te dá por ele. Mas não importa o quanto ele te ofereça, não o venda. Volte aqui com meu anel.

O jovem foi até ao joalheiro e lhe deu o anel para examinar. O joalheiro examinou o anel com uma lupa, pesou o anel e disse: – Diga ao seu professor que, se ele quer vender agora, não posso dar mais que 58 moedas de ouro pelo anel. – 58 MOEDAS DE OURO! Exclamou o jovem. – Sim, replicou o joalheiro, eu sei que com tempo eu poderia oferecer cerca de 70 moedas, mas se a venda é urgente… O jovem correu emocionado a casa do professor para contar o que ocorreu.

Senta, disse o professor e depois de ouvir tudo que o jovem lhe contou, disse: – Você é como esse anel, uma jóia valiosa e única. Só pode ser avaliada por um especialista. Pensava que qualquer um podia descobrir o seu verdadeiro valor? E dizendo isso voltou a colocar o anel no dedo.

Todos nós somos como esta jóia. Valiosos e únicos e andamos por todos os mercados da vida pretendendo que pessoas inexperientes nos valorizem.

Qual caminho escolher?

Um rápido registro para reflexão, escrito há 10 anos:

“Há somente uma alternativa à sustentabilidade:
a insustentabilidade”
 

(Hartmut Bossel, professor da University of Kassel, Alemanha).

Reter ou represar talentos

Outro dia ouvi um colega de Recursos Humanos falar sobre a importância que a sua empresa dava à retenção de talentos. O assunto permitiu diferentes abordagens e discussões. Uma delas era o real significado da palavra “talento”. Na minha avaliação, nenhum ambiente corporativo no mundo possui talentos. Existem, sim, profissionais de alto desempenho nas organizações que conseguem superar dificuldades para construir soluções de forma compartilhada e apresentar um resultado normalmente acima do que era esperado.

Quando boas políticas e práticas gerenciais são estruturadas e implementadas pelo RH para apoiar o desenvolvimento dos profissionais de uma empresa, com alinhamento estratégico aos negócios da organização, surge uma oportunidade para que o potencial de um funcionário seja “liberado” e ele alcance esse alto desempenho.

Talento não é uma pessoa. É uma aptidão que se não for inata, pode ser desenvolvida e evidenciada. Pessoas detêm talentos. “Reter talentos” é o mesmo que “represar o desenvolvimento de aptidões”. É esse o papel que o RH de sua empresa vem praticando? Dificilmente será se um programa de práticas gerenciais, aquelas que dão ao gestor condições de estimular o desenvolvimento da equipe, tiver sido amplamente estudado pensando-se em pessoas em primeiro lugar.

<Este post foi posteriormente publicado como artigo no jornal Positivo (Guarulhos) em fevereiro de 2009, pág. 11. Para ler, clique aqui >