Tag Archive | desenvolvimento sustentável

Mudou o clima?

Tenho abordado em encontros do programa de Comunicação e Marketing a questão da responsabilidade socioambiental, o olhar para o desenvolvimento sustentável e a sua correlação com o marketing.

Quando contemplamos as necessidades de um cliente e seus desejos, somos capazes de oferecer a ele um produto ou serviço adequado, de forma que não causemos impactos ao meio ambiente? Utilizaremos recursos agora, os quais, nas dimensões possíveis, estarão disponíveis para gerações futuras? Qual fidelização passará a ser mais útil: a do cliente à nossa marca ou  a da marca ao meio ambiente?

A cada avanço, em intervalos de semanas, recebemos notícias de alguns desastres naturais. Há pouco tempo, foi em Portugal, na Ilha da Madeira; há dias, no Chile. Tempos atrás, no Brasil (Angra e São Luiz do Paraitinga), por chuvas, e no Haiti. Terremotos e enchentes parecem não dar trégua. Certamente deveremos pensar não só nos impactos das mudanças climáticas, mas em nosso papel como profissionais desta geração formando novas gerações.

Se fizer, faça para o bem

Luiz Carlos Cabrera, professor e headhunter, lembra em entrevista à HSM Management o que acredita ser o melhor conceito de desenvolvimento sustentável, criado em 1987 por Gro Harlem Bruntland, ex-ministra da Noruega: “Desenvolvimento sustentável é suprir as necessidades da geração presente sem afetar as habilidades das gerações futuras de suprir as suas”.

De pleno acordo. Em resumo, continua valendo a velha frase “se não for para ajudar, então não atrapalhe”.

Negócios responsáveis

Outro dia me perguntaram como era possível identificar a presença de responsabilidade socioambiental nas ações de uma empresa, que não fosse apenas pela visibilidade de seus projetos sociais. Recorri a um setor que considerei ser um bom exemplo para explicar: o setor financeiro. 

Um banco que tenha a cultura de responsabilidade socioambiental analisará a fundo os riscos possíveis na concessão de um financiamento para um novo negócio de seu cliente. Como parte de seus procedimentos internos, identificará se esse tipo de negócio – ou pedido de crédito para compra de equipamentos – não trará impactos ao meio ambiente. 

No Brasil, já temos, há tempos, instituições financeiras que aderiram aos Princípios do Equador e, assim, passaram a responder a um conjunto de práticas para a análise de riscos antes de concederem créditos a seus clientes. Se antes o lucro vinha primeiro, hoje a questão é outra: como esse lucro será obtido e de que forma.

Na ausência desses princípios, seria o equivalente a um banco conceder um empréstimo sem perguntar ao seu cliente em que  seriam aplicados aqueles recursos. Imagine descobrir-se, posteriormente, que o financiamento fora destinado à compra de motosserras para devastação de uma região de reserva ambiental. Além de ser um financiamento irresponsável, neste exemplo hipotético, a própria imagem da instituição estaria sob risco, uma vez que crimes ambientais estão sujeitos (ainda bem) à repercussão na imprensa.

Enfim, ser socialmente responsável é uma conduta nobre para uma empresa. E agir como tal, é mais ainda.

Fale primeiro com o público interno

“Se as empresas não conseguirem chegar aos seus colaboradores, como será com os restantes stakeholders?”.  A frase integra o material de pesquisa, produzida em 2006, pelo BCSD Portugal – Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável, intitulado: “Comunicação Interna nas Empresas – Boas práticas de comunicação interna em matéria de desenvolvimento sustentável”.

Uma empresa só alcançará o status de ser sustentável se o primeiro olhar se voltar para seu maior patrimônio, que são as pessoas que nela trabalham. Embora seja uma afirmação óbvia, é incrível como muitas empresas ou instituições ainda não se deram conta disso nesta primeira década do século 21.

Em tempo: o BCSD é uma associação sem fins lucrativos, criada em 2001 por  iniciativa das empresas Sonae, Cimpor e Soporcel, associadas ao WBCSD ( World Business Council for Sustainable Development). Tem como missão permitir que a liderança empresarial torne-se catalisadora de uma mudança rumo ao desenvolvimento sustentável e, dessa forma, promover nas empresas a ecoeficiência, a inovação e a responsabilidade social.