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Foco no público intermediário

Volta e meia, recebo e-mails pedindo que eu redirecione a mensagem ao departamento de TI ou de Compras, caso eu não seja a pessoa responsável diretamente pelo assunto em destaque. Como a maioria das pessoas costuma fazer, dou o encaminhamento ao e-mail com um só clique, transferindo a mensagem à lixeira. Isso nos faz ter certeza da ausência total de uma estratégia por parte do remetente. Pode até ser que ele envie milhões e milhões de mensagens e consiga um retorno dentro do esperado. Mas acaba sendo uma iniciativa pouco eficiente e que desgasta por completo seus destinatários.

Dentro desse contexto, vale relembrar o exemplo de uma ação feita ainda no 1º semestre de 2011 pela agência DDB de Estocolmo (Suécia). É uma boa ideia de como se dirigir a públicos intermediários para, então, se alcançar o público-alvo desejado. O objetivo da agência era trazer novos visitantes para a galeria Bonniers Konsthall, que exibe mostras de arte contemporânea, instalações e artes performativas.

A DDB decidiu fazer um convite muito diferente do usual, já que seria um grande desafio manter a marca de seu cliente em evidência, por buzz, e chegar diretamente às pessoas que de fato teriam interesse em conhecer a galeria. Na prática, a dinâmica consistia em enviar entradas gratuitas para centenas de pessoas dizendo que o convite para visitar a galeria não era para elas, mas que poderiam repassá-lo a um amigo ou ao amigo de um amigo que acreditassem ter interesse.

Sustentada por redes sociais, como o Facebook, as “pessoas desconvidadas” poderiam se cadastrar e receber futuros convites para repassá-los a outros interessados. Como o convite era personalizado, o seu portador necessitava apresentar documento para provar que não era ele. Parece uma desfeita para quem recebeu o convite, mas se essa pessoa realmente desejasse visitar a galeria teria de consegui-lo por um amigo. Lembra-se da estratégia do Orkut, em seu início? Algo por aí…

Com informações do site Eurobest.

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Nada nesta mão…

Há muitos meios para se aumentar as vendas de produtos e serviços. E “velhos truques” não serão nada eficientes para melhorar a percepção do cliente em torno de uma marca. Fazer “caridade” posteriormente – algo bem distante de uma cultura empresarial socialmente responsável – não justificará nunca esses meios. O que não é real, é só um show ensaiado. Afinal, aplausos duram alguns segundos até que  o cliente entenda de fato o valor do que adquiriu. E sem planejamento, isso pode acabar em chamas, ainda que sejam simuladas.

Estratégias e processos: feitos por pessoas

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Henry Mintzberg, um professor de estudos de Administração da McGill University, em Montreal, Canadá, focaliza suas pesquisas para  o trabalho gerencial, nas formas de organização e no processo de formação da estratégia. Ao descrever o que torna uma organização eficaz, Mintzberg lembra uma das afirmações de Tom Peters em que as organizações devem ser “participativas, conduzidas por valor”. Pela visão de Michael Porter, entretanto, o autor acrescenta que as organizações devem usar a análise competitiva.

É Porter quem diz que a eficácia reside na estratégia enquanto Peters acredita que são as operações que contam. É como se um dissesse “faça as coisas certas” enquanto o outro afirmasse “faça-as corretamente”. Em qualquer um dos casos, o sucesso da estratégia estará na colaboração das pessoas, seja na escolha correta do que se fazer seja na forma adequada de como fazê-las.

Definir as melhores estratégias de Marketing e operar todo o processo, portanto, nos sugerem ações distintas, mas seguramente únicas por contar com um diferencial que pode mudar substancialmente o que havia sido planejado: a colaboração das pessoas envolvidas. Além de ferramentas e recursos profissionais, o aperfeiçoamento da estratégia ou de seu processo será possível se o trabalho gerencial for flexível o bastante para aceitar novas idéias, vindas, às vezes, de pessoas que não necessariamente sejam da equipe de Marketing. Inovar, portanto, vai além do que olhar para a estratégia tal como foi concebida originalmente ou apenas para dentro do processo.

Citação bibliográfica: “Além da Configuração”, por Henry Mintzberg, em “O processo da estratégia”, 4ª edição, p.386, Bookman, Porto Alegre, 2006.