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Pega, ladrão!

Uma boa ideia (na verdade, um pouco forçada, mas que funciona) da YR Amsterdam para evidenciar uma característica das TVs LG .

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Nascido para ser selvagem

Postei ontem no Twitter uma referência ao caso de assédio moral ocorrido na LG Electronics, divulgado na segunda-feira, 8/2, no jornal O Estado de São Paulo, em que um executivo coreano, em atividade aqui no Brasil, teria dado um tapa nas costas de uma funcionária, além de insultá-la, entre outras acusações de assédio moral que pesavam sobre ele. No mesmo ‘tweet’, fiz menção a outro tapa, porém do comercial da LG em que um bebê, ao nascer, recebe uma leve palmada do médico, como é normal ocorrer. Tempos atrás, havia até postado esse comercial aqui no blog.

São situações diferentes, sem sombra de dúvidas. De um lado, apenas a genialidade de um filme publicitário, criativo e profissional. Do outro, a constatação de um episódio que está longe de ser exclusivo da LG, mas que demonstra o despreparo daquele executivo no respeito às pessoas e à própria cultura de nosso país. Aviso aos navegantes: meu tweet não teve objetivo de fazer piada com esse caso e nem este post tem como propósito explicá-lo. Acredito, entretanto, que as duas situações permitem um questionamento: até que ponto problemas sérios como esse, de assédio moral, fazem parte das informações que chegam aos profissionais de uma agência de publicidade ou a todos os funcionários, por exemplo?

Por mais que digam que é um questionamento tolo, eu seguramente me preocuparia em colocar esses parceiros ou fornecedores a par de problemas internos, evitando que o produto final, no caso, o filme publicitário, trouxesse algum símbolo a um fato tão lamentável como o comportamento daquele executivo (tapa). Vale lembrar que é difícil assegurar transparência na comunicação interna quando uma ou outra área prefere tratar, em sigilo, um assunto tão grave como assédio moral a fim de que o caso não alcance outras dimensões. Pura bobagem. O que não é conhecido por todos na rede formal de comunicação, mais cedo ou mais tarde cairá na rádio-corredor. E irá parar na imprensa, por consequência, porém com a devida apuração dos fatos como um trabalho jornalístico deve ser feito. E vai depois explicar isso para todos os colaboradores que aquele foi apenas um caso isolado.

Selvagem?
Não bastasse o símbolo de um tapa, o mesmo comercial traz também, como trilha, uma música que em livre tradução seria “Nascido para ser selvagem”. Coincidências ou não, parece até um recado para executivos de comportamento questionável como o daquele senhor. Certamente aposto no profissionalismo das pessoas e posso imaginar que este não foi o caso. Mas que intriga, intriga.  A forma de se fazer negócios, como todos sabem, não é a mesma nos quatro cantos do mundo. Assim como lidar com pessoas também requer conhecimentos que vão além da cultura do país de origem. Em resumo: não é no tapa, na agressão física, ou no constrangimento ou desrespeito às pessoas que uma organização cresce. Isso vale, evidentemente, para executivos brasileiros que atuam em outros países. No mínimo, falta ainda muito para que executivos ou demais gestores de diferentes culturas possam compreender, assimilar e agir de acordo com o que uma boa conduta e postura ética nos sugere.

Missão, visão e valores deixaram há muito de fazer parte de placas decorativas espalhadas pelos corredores das empresas. A filosofia empresarial, a forma de se pensar e questionar qual é a missão e o papel da organização no relacionamento com seus stakeholders, deveria fazer parte da agenda diária de todos nós. Compreendo que a LG Electronics, antes de tudo, é uma organização que procura exercer o que compete a uma empresa de seu porte, gerando milhares de postos de trabalho no Brasil, recolhendo seus impostos, oferecendo produtos com alta tecnologia, entre outros fatores, e se esforça para conquistar e manter a sua participação no mercado.

Não faço um julgamento da empresa nem uma defesa, mas evidencio, a partir do que nos sugeriu a reportagem do Estadão, a postura inadequada de pelo menos um de seus representantes em atividade no país, inabilitado a lidar com o fator humano. Nem por isso deixarei de reconhecer que existe, sim, competência dos profissionais que atuam por lá e um talento extra para conviver com situações absurdas como a que foi descrita.

Chore ou faça a diferença. Bem-vindo ao mundo.

É inevitável dizer que o novo profissional aguardado pelo mercado de trabalho desta época de retomada de crescimento econômico praticamente já  deverá nascer com o compromisso de fazer a diferença. 

Exageros à parte, como neste simpático comercial da LG, continuará valendo a soma de competências dos recursos humanos de uma empresa para se desenvolver projetos bem-sucedidos e manter o espaço da organização neste mercado cada vez mais competitivo. Nenhum projeto tem como dar certo se não houver o reconhecimento que pessoas é que continuam fazendo a diferença. Chorar é só uma consequência e um ato inerente ao ser humano.

Em tempo: no comercial da LG, o verso da música “Born to be wild”, algo como “Nascido para ser selvagem”, da banda Steppenwolf, é parte da trilha do filme Easy Rider (Sem Destino, 1969) que aborda a história de dois motociclistas que viajam pelos Estados Unidos, com a ideia de alcançarem a liberdade pessoal.

Que bons profissionais tenham sempre destinos conhecidos e que sejam agressivos (e não selvagens) apenas na forma de fazerem a diferença. E que as empresas permitam a liberdade de atuação, orientada e pautada por políticas que sejam sempre respeitadas, de forma ética e profissional.