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Financie seu projeto

Você certamente já ouviu falar em crowdfunding. Ainda não?
Trata-se de um modelo que permite a pessoas ou organizações financiarem seus projetos por meio de doações coletivas. No Brasil, inclusive, já temos há muito tempo sites que servem como plataformas de arrecadação virtual, como o Catarse, talvez um dos mais conhecidos.

Um exemplo bem sucedido de financiamento coletivo foi o projeto para a gravação do CD d’A Banda Mais Bonita da Cidade, grupo de Curitiba (PR) que ficou bastante conhecido a partir do videoclipe “Oração”. A modalidade crowdfunding (veja matéria da Exame publicada há um ano) pode, inclusive, financiar shows ou outros eventos artísticos, sem se limitar a essas finalidades.

Quanto à banda curitibana, não só o CD foi gravado como hoje é possível fazer download das músicas no website da banda, clicando neste link. Ainda bem que temos o uso da Internet em seu lado positivo e legal para compartilhamento de conteúdo. E para finalizar, quem quiser rever o videoclipe que tirou os músicos da banda do anonimato no ano passado, aqui vai ele:

Blogueiros do mundo: uni-vos

Segundo pesquisa do Ibope / Net Ratings, o Brasil tem 43,1 milhões de pessoas com acesso à Internet. Em recente estudo, encomendado pela agência de publicidade F/Nazca Saatchi & Saatchi, a partir de levantamento feito pelo Instituto DataFolha, o país possui, na verdade, 64,5 milhões de internautas.

Na edição de 8/12/2008, o Jornal da Globo apresentou uma reportagem sobre a “Profissão Blogueiro”. O enfoque é a respeito de pessoas que produzem conteúdos para blogs e até ganham dinheiro com isso. Particularmente, quanto a esse último fator, não é o meu caso. Tenho uma outra atividade profissional. Este blog é apenas o lado colaborativo que tenho destacado nos posts destas últimas semanas.

Em todo o mundo, de acordo com a reportagem, são 112 milhões de blogs ativos. Só em língua portuguesa, são mais de 2,25 milhões deles. O “People Marketing” é só mais um entre tantos.

Há blogueiros (ou “bloguistas”, como os portugueses costumam chamar a quem escreve nos “blogues”) que também colaboram para o aperfeiçoamento de atividades de Marketing e Comunicação. Eles apontam problemas e recomendam soluções.

A atividade de “blogueiro”, em minha opinião, deveria ser reconhecida por todos como profissão. Cabem comentários. Deixo aberto este espaço.

Estratégias e processos: feitos por pessoas

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Henry Mintzberg, um professor de estudos de Administração da McGill University, em Montreal, Canadá, focaliza suas pesquisas para  o trabalho gerencial, nas formas de organização e no processo de formação da estratégia. Ao descrever o que torna uma organização eficaz, Mintzberg lembra uma das afirmações de Tom Peters em que as organizações devem ser “participativas, conduzidas por valor”. Pela visão de Michael Porter, entretanto, o autor acrescenta que as organizações devem usar a análise competitiva.

É Porter quem diz que a eficácia reside na estratégia enquanto Peters acredita que são as operações que contam. É como se um dissesse “faça as coisas certas” enquanto o outro afirmasse “faça-as corretamente”. Em qualquer um dos casos, o sucesso da estratégia estará na colaboração das pessoas, seja na escolha correta do que se fazer seja na forma adequada de como fazê-las.

Definir as melhores estratégias de Marketing e operar todo o processo, portanto, nos sugerem ações distintas, mas seguramente únicas por contar com um diferencial que pode mudar substancialmente o que havia sido planejado: a colaboração das pessoas envolvidas. Além de ferramentas e recursos profissionais, o aperfeiçoamento da estratégia ou de seu processo será possível se o trabalho gerencial for flexível o bastante para aceitar novas idéias, vindas, às vezes, de pessoas que não necessariamente sejam da equipe de Marketing. Inovar, portanto, vai além do que olhar para a estratégia tal como foi concebida originalmente ou apenas para dentro do processo.

Citação bibliográfica: “Além da Configuração”, por Henry Mintzberg, em “O processo da estratégia”, 4ª edição, p.386, Bookman, Porto Alegre, 2006.

Lucro também vem da participação

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A administração participativa, embora seja um conceito já  antigo, nos remete à valorização que se dá aos funcionários que aprimoram processos no trabalho e resolvem problemas que dificilmente seriam percebidos pela alta direção de uma empresa. Seriam muitos os exemplos, mas, para ilustrar, recorri a dois resultados que acompanhei poucos anos atrás em uma indústria do setor agroquímico, decorrentes de um programa de sugestão de melhorias contemplado nesse modelo de gestão:

– a partir de uma sugestão, um funcionário conseguiu reduzir de 12 para 5 horas a preparação de um produto, cujo processo original provocava o entupimento de uma peneira da máquina para sua formulação. Apenas o operador saberia como resolver essa situação e foi o que fez, motivado pelo programa de administração participativa implementado nessa fábrica. Quando o presidente, diretor ou mesmo o supervisor da planta conseguiria detectar com tal precisão esse problema?

– outra sugestão de melhoria no sistema de fechamento de caixas proporcionou à empresa uma economia na ordem de US$ 19 mil.

Em único ano, 31 projetos nesse sentido foram inscritos no programa, além de 298 sugestões de melhoria. Os projetos de maior destaque, claro, foram premiados. Da indústria ao setor de serviços, me recordo também de um amplo programa que previa a redução de desperdício nas áreas administrativas. Como prêmio, 200 reais para cada funcionário se uma meta inicialmente estabelecida fosse alcançada, além de uma premiação especial para as “melhores idéias”. A meta não só foi alcançada, como ultrapassou em mais de 100% o que havia sido previsto em redução de desperdício.

Vale lembrar que esse tipo de participação não só aumenta o engajamento e a satisfação no trabalho, como contribui para o desempenho do colaborador e para a competitividade da própria organização no mercado. Se isso traz resultados para praticamente todos os níveis da empresa, ouvir sugestões de colaboradores da organização interessados em melhorar a empresa onde trabalham pode, sim, aperfeiçoar as atividades de Comunicação e Marketing. Essa é uma força colaborativa que não pode ser desperdiçada. E a pergunta é: o quanto os gestores dessas áreas estão dispostos a ouvir, hoje em dia?

Peering: uma forma de inovar em negócios

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Outro dia estava conversando com colegas na empresa onde trabalho sobre a wikinomics, um tema bastante interessante que se popularizou em 2006 com o lançamento do livro de mesmo nome de Don Tapscott e Anthony D. Williams. A idéia central dessa publicação é como a nova colaboração em massa vem mudando a forma como as empresas e as sociedades passam a utilizar o conhecimento e a capacidade de inovar para criar valor.

Em posts futuros, comentarei sobre a wikinomics e de sua base formada por quatro vertentes: abertura, peering, compartilhamento e ação global. Peering ou peer production é quando as pessoas unem suas forças para colaborações auto-organizadas. A finalidade, neste caso, é a produção de novos bens e serviços. Um exemplo bastante conhecido é o sistema operacional Linux, uma forma de peering em razão de ser construído de forma colaborativa, em rede, por diversos usuários.

Os velhos conceitos de se fazer ou se pensar negócios precisam ser revistos nesta economia construída por muitos. É aqui que também agem os profissionais de Marketing e as pessoas impactadas por essa prática. Posso apostar que, em sua empresa, há uma força colaborativa ainda não explorada… potencialmente.